Entrevista N.A-A.218

 

1. Olhando para trabalhos anteriores, o primeiro livro do Falxifer concentrou-se principalmente no trabalho de magia popular da Corrente 182. Sabemos que há também uma profunda corrente esotérica e gnóstica dentro dele, manifestada através de abordagens mais complexas; você pode começar a nos explicar a natureza da magia popular empregada em relação aos trabalhos mais esotéricos do Caminho Qayinita em conexão com o Culto de Falxifer?

 
 
-As formas mágicas / tradicionais e folclóricas que empregamos não podem realmente ser separadas dos Trabalhos mais esotéricos de nosso Culto à Qayin, já que toda a nossa abordagem aos mistérios é alcançada através do emprego de técnicas de feitiçaria e xamanismo profundamente arraigadas. A divisão entre ‘baixa e alta’ feitiçaria não é importante para nós nas formas externas das técnicas, mas sim o contexto, a intenção por trás do trabalho, os Espíritos e o nível de poder empregado. Isto significa que as estruturas das feitiçarias tradicionais, como por exemplo o emprego de diversos fetiches ou a criação de óleos mágicos, podem depender do contexto e se elevar a um outro nível de santidade, tudo de acordo com a abordagem, licença espiritual, empoderamento e gnose do feiticeiro.
 
Há, portanto, dentro do nosso Culto Necrosófico à Qayin, uma distinção clara entre os rituais mágicos populares e gnósticos, pois no final é o Espírito que impregna a Obra que determinará se ela está totalmente dentro do reino temporal ou se também cruza para os reinos mais elevados e transcendentais.
 
As técnicas mágicas populares são, na verdade, a rota mais potente através da qual um feiticeiro pode interagir com as forças invisíveis do mundo e, através delas, também interagir com alguns dos aspectos dos Espíritos que levam para além das próprias limitações deste mundo.
 
Enquanto os “magos” de poltrona passam suas vidas meramente teorizando sobre as masturbações mentais de outros, os populares feiticeiros pragmáticos destilam a própria quintessência da magia dentro das formulas muitas vezes rurais onde, em vez de livros, estudam os elementos e essências da natureza e descobrem meios através dos quais suas manipulações podem causar a verdadeira mudança de destino e mudança de sorte para si e para seus clientes / pacientes.
 
Enquanto as modernas manifestações pseudo-intelectuais de “magick” parecem não servir para nada mais do que uma desculpa para interações sociais gratificantes para o ego e como um meio de evitar a obra real e muitas vezes exigente da autêntica feitiçaria, nós buscamos aquilo que é realmente potente e eficaz se voltando às tradições de nossos anciões e aqueles que percorreram o Caminho antes de nós. Por causa disso, grande parte de nossa abordagem pode parecer uma variedade da feitiçaria folclórica mesmo quando nossos objetivos são de natureza gnóstica, mas isso ocorre porque a divisão entre a “alta e baixa” feitiçaria é ilusória e uma construção moderna.
 
Outra razão pela qual nossa Obra é expressa através de formulas folclóricas de feitiçaria, é por conta da importância que atribuímos aos poderes dos mortos / ancestrais, os Genii Locorum e os espíritos ocultos do reino vegetal que é algo que compartilhamos com a postura animista da maioria das vertentes populares de feitiçaria.
 
Quanto ao meu trabalho pessoal e prática, posso dizer que todo o treinamento que recebi nas artes de feitiçaria tem estado dentro do contexto dos diferentes ramos populares e, como tal, é natural para mim trabalhar dentro dessa estrutura muitas vezes conectada à, por exemplo, Svartkonst, Brujeria e diferentes formas xamânicas da Bruxaria Tradicional Asiática e Européia.
 
Os aspectos gnósticos penetram no trabalho e emanam dele quando certas realizações concernentes à verdadeira natureza e essência confinadas dentro dos elementos e poderes trabalhados com o mesmo são alcançadas. No caso de nossa Feitiçaria Necrosófica, o Espírito de Qayin se fez conhecido e se manifestou através das formas folclóricas de feitiçaria que estavam sendo utilizadas em conexão com o trabalho pertencente ao Santo da Morte, isso ocorreu ao se cruzar com todos os Seus Pontos de Poder e o Espírito imbuiu toda a Tradição com a Gnose Ófita do Sangue e a Luz Negra do Deus Abscôndito.
 
2. Estranhamente, algumas pessoas envolvidas na “cena oculta” parecem ter tido um problema com a compreensão do termo Necrosofia e até mesmo criaram ideias um tanto ridículas ao tentar conectá-lo ao “Necronomicon”. Você poderia, por favor, explicar o que significa Necrosofia?
 
Necrosofia significa Sabedoria dos Mortos e uma Tradição Necrosófica indica uma tradição na qual a sabedoria é derivada dos mortos e, como tal, é um termo ligado ao Culto dos Mortos e da Morte, e implica práticas ‘necromanticas’ como um meio para a obtenção de gnose. O termo foi uma simples e específica construção da tradição destinado a transmitir a natureza do trabalho àqueles que o abordam.
 
3. Também tem havido alguma confusão sobre o por que do nome do Portador da Foice é pronunciado neste contexto como Falxifer, então você poderia por favor explicar isto para aqueles que não recebem os ensinamentos diretamente do templo?
 
Sim, a grafia exotérica da palavra / nome do Portador da Foice seria “Falcifer” em latim, mas como essa palavra já está conectada ao Deus Saturno e a muitos outros conceitos estabelecidos em variados contextos, o título empregado dentro de nosso Culto Qayinita foi alterado para ‘Falxifer’, isto para diferenciar a palavra em questão quando aplicada à nossa estrutura em específico para torná-la um símbolo carregado em vez de uma palavra, e também a inclusão do X desempenha um papel significativo quando se trata do simbolismo exotérico pertencente à Marca de Qayin através da conexão simbólica que Falxifer detém ao aspecto de condutor da cruz do Mestre, conectando assim os aspectos relacionados a Akeldama (Ceifeiro / Portador da Foice) aos aspectos de Gulgaltha (Mestre das Encruzilhadas da Morte / Rei da Cruz Negra).
 
É, em outras palavras, uma questão de codificação específica da tradição de certos mistérios e um caso em que uma palavra foi transformada em um sigilo sonoro ou símbolo carregado de significado além do que seria óbvio.
 
Esta abordagem vai de mãos dadas com a maneira que as nossas fórmulas baseadas no latim também são construídas, pois é uma questão de simbolismo e codificação que transcendem as limitações do “uso correto do latim” e é mais sobre as manifestações de construções inspirados em harmonia com o ritual estético e o ethos do Culto e seus Espíritos.
 
É claro que não atribuímos quaisquer poderes mágicos à língua latina em si e as palavras, os símbolos e fórmulas sônicas construídos com ela funcionam, em essência, mais de acordo com as “Palavras Bárbaras de Poder” empregadas em outros contextos quando as carregamos com essêncies que excedem aquilo que de outra forma estaria ligado a elas, embora dentro de nossas Fórmulas de Evocação os significados exotéricos das palavras empregadas também sejam, em um nível externo, facilmente compreendidos e relacionados por aqueles que estudam o Trabalho.
 
Portanto, é suficiente afirmar que há sempre mais naquilo que, para os não-iniciados, é percebido como “latim do cão” tanto nos clássicos grimórios / Svartkonstböcker quanto no que seus olhos podem encontrar em nosso próprio trabalho, e o mesmo vale para fórmulas baseadas no hebraico que são empregadas nesse sistema de Trabalho Espiritual e Conjuração.
 
É sempre uma questão de Codificação Inspirada e transformação das ‘Palavras de Carne’ em Símbolos Carregados Magicamente, para que o Logos se torne o portador do ‘Alogos do Espírito’.
 
O Poder Silencioso de cada palavra mágica é aquele que soa nos ouvidos do Espírito.
 
Os interessados em estudar outros sistemas nos quais o latim é empregado de maneiras semelhantes ao nosso trabalho poderiam, por exemplo, examinar também as aplicações do inspirado “Orasyon” latino dentro das práticas dos feiticeiros filipinos.
 
4. O livro de Anamlaqayin revela pela primeira vez alguns dos ensinamentos secretos do TFC, o primeiro templo necrosófico de Qayin. Este grimório que abrange 474 páginas contém numerosos feitiços, sigilos, selos talismânicos, assinaturas espirituais e rituais que até agora eram desconhecidos por não-iniciados que trabalham fora do Templo. É óbvio pela imensa quantidade de materiais reunidos e compartilhados em Liber Falxifer II que você atribui grande importância aos trabalhos práticos nos ensinamentos revelados ao leitor. Quão importante você acredita que seja as pessoas que estão prontas para colocar seus pés no Caminho de Nod buscarem as respostas através da prática, em vez de apenas estudar?
 
Tudo o que apresento nesses livros tem sido praticado e provado ser potente e depois aprovado pelos espíritos governantes da Obra para inclusão e apresentação pública no ‘Caminho dos Mistérios’, que nossos ensinamentos devem guiar. Tudo que foi incluído tem, em outras palavras, seu propósito muito específico e destina-se a desbloquear certos pontos ocultos dentro e fora do praticante e, como tal, os materiais teóricos fornecidos são todos destinados a estabelecer as bases para os trabalhos através dos quais sua validade pode ser aprovada, testada e experimentada objetivamente pelos alunos do Caminho.
 
Teoria e prática devem, como tais, andar de mãos dadas, pois os aspectos teóricos são apenas as sementes de poder que através do trabalho real são semeados para produzir os frutos do sucesso, conquista e liberdade mundanos, assim como o ‘Tornar-se Espiritual, a Libertação e Gnose.
 
Por isso, é importante estudar e aprender em prol da prática e trabalho correto e que seja eficaz.
 
Somente através dos pactos, consagrações, ofertas e outros rituais, os Espíritos do Caminho podem ser comungados e é somente através de tais comunhões que os qayinitas podem receber o empoderamento, as iniciações, as maldições e todas as bênçãos do Caminho Espinhoso de Nod.
 
Sem a vontade de praticar e fazer o trabalho duro, o caminho não será acessível e, para tal, todos os ensinamentos que oferecemos são exclusivamente públicos, a fim de motivar a prática correta e eficaz.
 
Um mero estudo intelectual de ideias e instruções rituais, sem testá-las, certamente não levará ninguém à essência real que as “formas” de nossa Tradição Necrosófica codificam e sustentam.
 
5. Na sinopse do Livro de Anamlaqayin é mencionado que o Primeiro Livro do Falxifer foi um portal para a Corrente 182: um ponto de ingresso, e para aqueles que através da prática correta puseram os pés no caminho espinhoso do Culto da Morte, o Segundo Livro do Falxifer concederá conhecimento adicional, orientação e poder sobre este caminho. Para aqueles que implementaram a sabedoria e práxis do Primeiro Livro do Falxifer, o que eles podem esperar, no que diz respeito a expandir a compreensão e desenvolvimento sobre o caminho espinhoso de Qayin, do Livro de Anamlaqayin?
 
O que está sendo fornecido no Segundo Livro é, além de toda a base Gnóstica do Culto Necrosófico, a explicação de nossa abordagem aparentemente animista quando se trata das aplicações mais práticas dos elementos colhidos dos reinos animal, mineral e vegetal.
 
Além disso, o que pode ser dito sobre a Mãe Velada de nossa Linhagem Flamejante será revelado no Segundo Livro e somente esse aspecto por si só abrirá uma nova gama de práticas esotéricas e potencialmente concederá as chaves para Seus Jardins Ocultos, onde os irmãos devotados podem colher uma parcela de poder que se iguala ao de nosso Mestre Qayin e assim duplicar a potência de todos os trabalhos.
 
As feitiçarias e conjurações das plantas e seus espíritos através dos poderes do Mestre Qayin e muitos tratados que ligam os gênios do reino verde ao serviço da nossa Boa Causa também são fornecidos, tornando possível uma abordagem totalmente nova quando se trata do trabalh do Negro No Verde.
 
A terceira parte do livro é dedicada aos mortos, tanto nas abordagens e ideias elevadas e mais simples, quanto nas totalmente novas, relativas à veneração dos Poderosos Antepassados, e o emprego e controle dos Mortos das Sombras serão fornecidos.
 
A quantidade de informação dada é suficiente para dividir o Trabalho em três livros separados, mas como nosso objetivo é promover o processo de Iniciação Solitária dos fiéis, o Segundo Livro consiste em todas as três partes, cada uma contendo mais informação esotérica do que poderia ser encontrado em todo o LF1.
 
Você deve aprender a andar antes de poder correr e, portanto, o primeiro livro deve ser lido, interpretado e testado e sua essência oculta deve ser experimentada antes que o que é dado no segundo livro possa ter seus efeitos desejados.
 
É suficiente dizer que os fiéis ficarão mais do que satisfeitos com o que temos a oferecer neste segundo livro e que as novas ferramentas que eles fornecerão a eles possibilitarão um espectro totalmente inovador e elevado da Feitiçaria Gnóstica e Necrosófica que, esperamos, os aproximará de todos os poderes e transformações da Morte Sinistra, nas mesma pegadas daqueles que anteriormente atravessaram o Caminho dos Espinhos.
 
Estamos todos muito satisfeitos com a Obra reunida no Segundo Livro e estamos convencidos de que aqueles que entraram na Corte Externa do Templo de Qayin através das rotas reveladas e ocultas na LF1 ficarão igualmente satisfeitos com o resultado final que levou mais de 3 anos para se manifestar dentro deste segundo Grimório de Qayin (e Sua Noiva), e desta vez os fiés também receberão os meios pelos quais a entrada no Santuário Interior do Templo de Qayin se tornará possível.
 
6. Liber Falxifer tem, em parte, influências aparentemente fortes das tradições e raízes da bruxaria latino-americanas ligadas ao culto argentino do Señor la Muerte. Quão importante é para os seguidores do Culto da Morte também ter pelo menos algum conhecimento prático e compreensão teórica desses outros sistemas de crenças, tais como Quimbanda, Santeria e Palo Mayombe, e se for, por quê?
 
Os aspectos mágico-folclóricos do culto e da Santa Máscara de Qayin foram recebidos principalmente da Argentina e das tradições da Brujeria que uma vez nos introduziram ao Culto Fechado / Esotérico do Santo da Morte. Os aspectos relevantes para o nosso próprio trabalho relativos àquelas venerações populares e católicas do “Santo Pagão da Morte” foram o que revelamos na parte inicial do Primeiro Livro e esperamos que aqueles que estudaram e praticaram o que foi oferecido tenham sido levados a outras questões relevantes e aspectos de tais práticas.
 
Dentro de nossa Tradição, Qayin é o Santo da Morte e da Colheita, mas entre muitas outras coisas, é também o Santo dos Coveiros e Assassinos, e como tal Ele poderia perfeitamente ser oculto e revelado através da Máscara do Ceifeiro do Culto da Morte Argentina. Isso assimila como os Guarani usaram pela primeira vez a “forma” da Morte / Ceifeiro européia que os jesuítas lhes apresentaram para mascarar a adoração de seu próprio Deus da Morte. Vale a pena considerar que, se os jesuítas, por exemplo, tivessem identificado o Ceifador da Morte, a quem apoiavam a imagem do Diabo, com um caráter bíblico, não teriam sido forçados a acreditar que também poderiam ter visto as conexões óbvias com o Primeiro Ceifador e o primeiro assassino,
 
Quanto a ‘Quimbanda, Santeria e Palo Mayombe’, eles são todos sistemas iniciatórios em si e não estão conectados à nossa Tradição, mesmo que alguns dos iniciados do Templo também sejam iniciados em algumas das religiões / tradições / sistemas mencionados. O que alguns desses cultos têm em comum com o nosso Trabalho é o núcleo mágico que eles compartilham com os aspectos mais “livres” da Brujeria na América do Sul.
 
Mas, pode-se encontrar aspectos similares da feitiçaria popular em harmonia com o nosso Trabalho também nas tradições escandinavas ‘Svartkonst’ e ‘Trolldom’, pois nelas também os mortos, os santos, os espíritos, os demônios e as plantas foram trabalhados de modo semelhante e bebidas alcoólicas e tabaco eram usados de forma parecida e para os mesmos fins (como, por exemplo, orar sobre o licor para carregá-lo e depois borrifar / cuspir na pessoa ou coisa que se queira afetar ou abençoar, limpar e curar).
 
Ao estudar os sistemas mágicos populares do mundo, torna-se evidente que o núcleo de todas essas práticas é o que poderia ser definido como “xamânico” e que todas essas formas de feitiçaria têm muito em comum. Existem, por exemplo, formas asiáticas de necromancia e artes negras que alguns dos nossos membros praticam e também dentro dessas práticas existem muitas semelhanças com o nosso próprio Trabalho.
 
Em outras palavras, a resposta à sua pergunta é que o importante é a compreensão de toda e qualquer forma tradicional de magia popular que seja acessível, pois a sobrevivência de tais sistemas de feitiçaria nesta era moderna sem espírito é em si uma prova de sua relevância e potência, e de acordo com a Gnose, muitos aspectos de tais práticas podem acessar e canalizar imenso poder e sabedoria, muitas vezes ligados aos mortos e aos espíritos da terra e do submundo. Pois o que é a veneração e petição dos santos dentro da maioria dos sistemas de magia popular, se não o que sobrou dos antigos cultos dos mortos e formas de necromancia?
 
Com tudo isso dito, é importante destacar também o fato de que existem muitas abordagens específicas da Tradição dentro de nosso próprio Culto Qayinita e muito protocolos baseados em tratados que devem ser seguidos para obter acesso às virtudes e poderes dos Espíritos do nosso Culto e Corrente Qayinita.
 
7. Muitas Correntes mantêm restrições sobre quem, pela Vontade dessas deidades específicas, pode ser iniciado ou progredir, por exemplo, as Tradições Religiosas Africanas. Há alguma restrição sobre as pessoas que desejam praticar a sabedoria encontrada na LF1 que não podem ser aceitas na Corrente 182 pelos espíritos?
 
Aqueles que não são ‘Nascidos do Fogo’ e que não pertencem à Linhagem Espiritual da Serpente através de Qayin e Sua Noiva não podem obter as iniciações, bênçãos e capacitações de Seu Culto, é tão simples e tão complexo quanto isso.
 
Mas aqueles que são do Espírito e sabem que são chamados, não precisarão da confirmação de qualquer outro humano e seus resultados e sucesso em conexão com o Caminho e a orientação dos Espíritos serão a única prova e encorajamento que serão sempre necessários.
 
Como o Caminho é solitário, para quase todos que o percorrem, não há necessidade de engano ou auto-engano, e se você não ouvir o chamado, é melhor procurar outra coisa, pois as bênçãos de alguns são maldições quando colocadas sobre outros e, portanto, cabe a cada um saber se eles são destinados ao Culto de Qayin ou não e a maioria das pessoas sabe que não são, e isso é uma coisa boa.
 
O fundamento gnóstico de nossa Necrosofia revelado no primeiro capítulo do Liber Falxifer II deixa muito claro para a maioria das pessoas se elas estão destinadas e espiritualmente conectadas ao Caminho e se elas carregam a Marca ou não, como aqueles que sinceramente podem se relacionar àquilo que é apresentado e apreender a Essência além das formas relativamente simples pelas quais ela é codificada, enquanto os demais que não ressoam com a essência dessa obra saberão que precisam buscar seus próprios caminhos em algum outro lugar.
 
Em contraste com outras tradições, não facilitaremos as coisas para as pessoas fazendo uma simples adivinhação e dizendo se elas são do Sangue ou não, ou se os Espíritos as aceitarão ou não, pois elas devem, ao invés disso, olhar para dentro de si mesmas e descobrir o que elas são e o que elas podem e querem se tornar.
 
Se você através das palavras e do silêncio da Obra apresentada puder experimentar e compreender a Essência do Caminho, você saberá com certeza que ela pertence a você e que você pertence a ela.
 
8. O que você pode nos dizer dos fetiches e talismãs usados na práxis, dado que eles são poderosos focos para as energias qayinitas e desempenham um papel importante nos Livros do Falxifer, e sobre suas formas e funções e o conhecimento para criar esses itens?
 
Aquilo que pelos cegos é percebido como fetichismo primitivo, na verdade é uma forma elevada da teurgia na qual o Espírito é feito carne a fim de estabelecer a Escada Elemental da Descida / Ascensão. O trabalho de nosso fetichismo dentro do contexto de nossa Feitiçaria Necrosófica exige um entendimento profundo sobre os aspectos da natureza e os meios através dos quais os elementos reunidos / colhidos cerimonialmente podem ser reunidos e unificados para criar o Ponto Único de Simpatia conectado ao Espírito que se busca e, assim, causar o milagre da alimentação.
 
O Trabalho correto de incorporação e inspiração é um aspecto do processo interno de At-Azoth (i.e, adição de Chamas Espirituais / Luz) e através da compreensão dos governantes que comandam tais trabalhos pode-se invocar para dentro do próprio corpo-vaso uma adicional Luz Azótica das Fontes Externas para se tornar mais do que aquilo que pode ser limitado por formas finitas da matéria e finalmente alcançar a Liberação e a União Divina que a Terceira Coroação do Fogo dá direito.
 
Como tal, também deve ser sempre lembrado que não são as formas materiais dos fetiches que veneramos e que o foco real é sempre a essência assentada internamente e o que é alcançado através delas, assim também fica claro que as representações / ídolos / fetiches empregados erroneamente e sem os ritos corretos de consagração se tornam nada mais do que fardos adicionais que pesam sobre o próprio Espírito, criando mais apego material. É por isso que é de uma imensa importância que a criação de um fetiche seja a culminação do entendimento de cada um e todo o aspecto espiritual dessa Obra Divina e Solene.
 
Haverá também um tempo em que todos os fetiches / kelims / vasos transbordarão e “quebrarão” e é somente então que a Grande Obra estará completa e o Espírito poderá novamente se libertar dos limites da matéria e re-ascender para Verdadeira Divindade.
 
O trabalho fetichista é, portanto, em seu aspecto mais elevado e esotérico, um espelho que reflete o próprio Ser alquímico. Este é um dos casos em que a Gnose transforma e eleva o funcionamento simples da feitiçaria popular e a incorpora a uma corrente específica da tradição para realizar os mais elevados objetivos.
 
9. Enquanto o mito genérico de Caim / Qayin nas religiões judaico-cristãs é de valor e profundidade limitados, a tradição qayinita do TFC é rica em sabedoria e gnose. Havia um ponto específico na prática em que você sabia que deveria revelar a sabedoria de Qayin?
 
“A sabedoria de Qayin”, ou mais corretamente “a sabedoria alcançada de Qayin”, é obtida da contemplação e do Trabalho com os aspectos tradicionais, apócrifos e folclóricos dos Mitos Qayinitas e pelo emprego de tais formas / ideias dentro de um cenário que permiti que a Corrente Gnóstica Anti-Demiúrgica em que eu trabalhei a imbuísse e mostrasse-a em sua Luz Negra.
 
Na verdade, há muito pouco daquilo que atribuímos a Qayin que não tem uma base tradicional. É apenas uma questão de encontrar as fontes e vê-las da perspectiva correta e compreendê-las de acordo com a Gnose pessoal e específica do contexto. Mais importante ainda, é uma questão de Revelação Espiritual, pois estamos certos de que nossa Obra é inspirada por aqueles com quem temos ligações e, para nós, construções “míticas” mantêm uma realidade irrestrita pelo que é percebido como “realidade física”.
 
Quando a Gnose Qayinita e o Trabalho vieram iluminar totalmente todas as outras facetas da minha vida espiritual e prática, eu sabia que era algo bom que tinha que ser compartilhado com aqueles que poderiam recebê-lo e que a disseminação do Culto de fato ajudaria na promulgação da Causa Libertadora da Divindade.
 
10. Como Magister da Corrente Necrosófica, você guarda e ensina a sabedoria do aspecto Obscuro / Qliphotico de Qayin dentro e através da TFC. Quão importante é, na sua opinião, que esse aspecto particular e raramente detalhado de Qayin seja revelado e você pode nos dizer mais sobre a Corrente Noturna de Qayin e como você se viu trabalhando com ela?
 
De todas as formas do Mestre com que trabalhamos, é este aspecto que está ligado ao Seu Espírito ascendido e aperfeiçoado. E é o mais poderoso da Tradição e que especifica a Corrente, significando que está totalmente enraizado na Gnose da nossa própria Corrente e não realmente manifesta em qualquer tradição externa. Em Liber Falxifer II, esse aspecto foi pela primeira vez tornado público, embora algumas dicas sobre ele já tenham sido dadas no primeiro livro.
 
Quanto à importância da disseminação dessas ideias e insights, bem, elas são importantes apenas se disseminadas para as pessoas certas e dentro do contexto correto e, como tal, isso faz parte dos aspectos que permanecerão esotéricos e secretos apesar do fato de que eles parecem ter sido revelados.
 
Portanto, é melhor deixar este tópico para os leitores do Liber Falxifer II, pois não é possível apresentar esses aspectos de forma resumida e seria impossível apresentar todo o fundamento em que tal revelação e aspecto são baseados.
 
Meu próprio entendimento pessoal deste aspecto do Mestre tomou forma através do ponto culminante das manifestações do Culto da Morte magico-popular ao qual eu pertencia e sua apresentação foi imbuída pela essência da minha obra específica e gnóstica da tradição com Qayin em conexão com as forças da sétima Kliffa de Sitra Ahra, da qual temos uma visão muito diferente se comparada às ideias dos cabalistas ortodoxos.
 
Mais uassuntosé melhor que esses assuntos sejam deixados para os estudantes do livro, já que eu não posso possivelmente fazer justiça ao tópico no contexto desta entrevista. É suficiente dizer que o aspecto em questão é o mais elevado e transcendente e que nosso objetivo é nos unirmos com esse aspecto do Seu Espírito, caminhando em Seus passos.
 
11. Você fornece no Capítulo 15 do Liber Falxifer uma lista de deuses que poderiam ser vistos como manifestações da Morte. Você acredita que essas divindades são simplesmente as ressurreições oportunas das necessidades de uma cultura ou podem ser vistas como várias máscaras para uma única divindade que, na corrente 182, é conhecida como Qayin?
 
Não, nessa linha de prática, não concordamos com a ideia de que todas as divindades semelhantes são, em essência, a mesma. Cada cultura e cada culto tem suas próprias manifestações atuais e específicas do espiritual e do divino. Cada panteão, religião e sistema de espiritualidade e feitiçaria possui de modo semelhante suas próprias expressões associadas aos impulsos da divindade. Por exemplo, o deus da morte dos antigos egípcios nada tem a ver com o aspecto da morte de Qayin. Lembre-se também que não vemos Qayin como o Arconte cósmico da Morte Predestinada, já que esse papel é reservado para o arcanjo Azrael, que é um servo fiel do Demiurgo e um executor do heimarmene / domínio cósmico do destino, que é algo que Qayin conquistou e transcendeu.
 
O aspecto da Morte de Qayin está ligado ao Seu próprio Caminho de Libertação Antinomiana e àquilo que Ele foi, fez e se tornou. Dentro do contexto de nossa Obra Qayinita, as outras “realidades míticas” não são reconhecidas dentro de uma Linha de Prática, apenas o panteão e a realidade espiritual dessa linha são respeitados. O que, por outro lado, podemos fazer é encontrar pontos “naturais” de intersecção entre algumas manifestações dos aspectos similares do Espírito Divino, ou, em casos raros, encontrar a manifestação (ou o que parece ser) da mesma essência exatamente dentro de dois diferentes panteões tradicionais ou mitos específicos. Somente em casos tão raros pode ocorrer uma síntese natural e criar um Ponto de Liminalidade através do qual diferentes linhas podem compartilhar formas rituais similares como, por exemplo, é o caso da linha de prática com Seth-Typhon. No nosso Culto de Qayin, existe também esses Pontos Ocultos de Liminalidade para aqueles que têm os olhos para vê-los.
 
Assim, todas as divindades relacionadas com a Morte não estão ligadas a Qayin, da mesma forma que Ele não deve ser identificado com todas as outras divindades da agricultura, colheita, assassinato, escavações, feitiçaria e soberania antinomiana, mas possui certas conexões com o trabalho de algumas divindades entronadas dentro de linhas de prática separadas e paralelas que detêm o domínio sobre as esferas de influência similares que Ele trabalha. Isso ainda não os torna um só e o mesmo Espírito, pois eles pertencem a diferentes correntes emanadas da Plenitude / Vazio da Divindade Não-Manifestada.
 
12. Entre outras correntes de feitiçaria, como a sabática e a tradicional, há uma divergência do papel de Qayin dentro da práxis. Para alguns Ele faz parte de uma trindade que culmina em uma forma de Deus se tornando a Luz iluminadora, enquanto que para outros Ele é o inventor, o gênio dos Ofícios dos Sábios. Como essas diferenças afetam o trabalho de sua tradição qayinita?
 
Sobre esta ideia da trindade, nada sabemos, mas Ele realmente foi um grande inventor e pai de diferentes ofícios importantes. O que ele não era, em contraste com o que muitos se identificam como vozes autoritárias nesses assuntos, é o primeiro ferreiro, já que esse papel e arte eram reservados para seu abençoado descendente Tubal-Qayin (o avatar sagrado do Mestre Azazel).
 
Essa confusão de Qayin com Tubal-Qayin é muito estranha e causa muitas associações erradas. Nosso Senhor Tubal-Qayin é o detentor dos mistérios da Forja e da Fornalha e aquele que aperfeiçoou muitas das artes de Qayin, especialmente após o advento de seu aparato atazótico pela descida do Santo Azazel.
 
Essa atribuição defeituosa de Qayin como sendo o primeiro ferreiro é um daqueles casos em que Ele recebe um aspecto baseado em outras fontes que não as tradicionais e principalmente por causa de uma tradução alternativa e não totalmente precisa de Seu nome.
 
Para voltar à sua pergunta, posso dizer que nenhuma visão moderna de Qayin tem qualquer impacto relevante sobre nós, e qualquer similaridade com a qual possamos compartilhar certas formas de simbolismo qayinita, é baseada unicamente no fato de podermos buscar inspiração de fontes tradicionais semelhantes, mas as diferenças devem ser muito claras quando se trata das interpretações reais e práticas das codificações míticas e da práxis esotérica resultante.
 
As inspirações textuais que temos são principalmente escrituras e escritos antigos daqueles que, em quase todos os casos, desacreditaram Qayin e difamaram-No como um ser governado apenas por instintos básicos e malignos, quando na realidade os “maus atos” do Mestre Qayin foram todos pelo bem daquilo que é verdadeiramente divino.
 
Não há, como tal, nenhum “gnosticismo qayinita antigo” sobre o qual nossa Obra se baseia, nem estamos conectados a nenhuma outra tradição moderna veneradora de Qayin, pois é uma questão de inspiração derivada de muitas fontes diferentes que, quando foi corretamente reunidas, como as muitas peças de um mesmo quebra-cabeça, nos concedeu Suas Revelações e manifestou Seu Culto Necrosófico.
 
13. Foi recentemente sugerido que, ao divulgar Qayin como o Primeiro Assassino, se difama o mesmo e negligencia outros aspectos importantes que podem ser atribuídos a Ele. Quais são seus pensamentos sobre isso?
 
Tais declarações são ridículas e são um sinal de ignorância ou baseadas em alguma agenda pessoal. Não há uma única fonte tradicional que não descreva Qayin como o Primeiro Assassino e Portador da Morte e como o foco de nosso Trabalho é o Culto da Morte, é natural que tenhamos enfatizado nesse aspecto mortíferos, mas não limitamos Qayin como sendo apenas um assassino, algo que está muito claro no Liber Falxifer II.
 
Qayin era muito mais do que apenas um assassino, Ele foi o primeiro Desperto do Espírito, o Primeiro Lavrador do Solo, o Primeiro Semeador, o Primeiro Ceifador, o Primeiro Feiticeiro, o primeiro Domador dos Cavalos, mas também o Primeiro Assassino do Homem, o Primeiro Coveiro, o Primeiro Necromante, o Primeiro Exilado, o Primeiro Luciferiano / Satanista (conscientemente tornando-se o Adversário do Demiurgo), o Primeiro Conquistador do Destino, o Primeiro Construtor da Cidade, o Primeiro Rei / Soberano governando fora da “graça” do Demiurgo e o Primeio Morto que (junto com Sua Noiva) transcendeu as limitações esse lado e assumiu o trono Sitra Ahra.
 
Então, de acordo com nossa tradição, Qayin é realmente muito mais que um simples assassino, mas o assassino. Ele certamente foi e continua sendo! Como nosso Culto é identificado com o do Santo da Morte, seria muito estranho se nós não tivéssemos enfatizado o aspecto Dele como o Ceifador da Morte.
 
As mesmas pessoas que se queixam da ênfase colocada neste aspecto são, com certeza, também aquelas que não querem ligar Qayin ao Inimigo do Demiurgo e, como tal, não têm nada a ver com a Corrente Qayinita em que Trabalhamos.
 
Há muitas correntes diferentes, separadas e paralelas, conectadas às “formas” bíblicas, e apenas porque os mesmos nomes são usados por diferentes tradições, isso não significa que estamos nos dirigindo aos mesmos espíritos. Só porque outras pessoas querem conectar Qayin a algumas “divindade agrícola pagã” benigna, sem quaisquer associações antinomianas ou iradas, nossa própria manifestação específica da corrente da feitiçaria de Qayin e Qayinita não será afetada.
 
Mas, para fins de discussão, seria interessante desafiar tais pessoas a apresentarem fontes tradicionais da escritura, apócrifos e folclore para apoiar suas idéias sobre esse “Caim” benigno deles que não deveria estar ligado aos atos da Morte Ilegal. Então poderíamos comparar suas descobertas com as fontes que sustentam nosso próprio Fundamento Qayinita.
 
No final, estas são questões de Espírito e Gnose e não história e arqueologia, mas quando as pessoas se orgulham de serem “tradicionais”, “especialistas” e “estudiosas”, devem pelo menos fazer o dever de casa e perceber que existem mais maneiras do que uma de aproximar-se da essência dos Mistérios Qayinitas.
 
A corrente específica de nosso culto Qayinita é 182 (2x7x13 = 182 = 11 = 1-1 = 0) levando o Espírito Dual-Nascido através do Caminho (Mortal) dos Espinhos em direção ao Sitra Ahra e daí para a Plenitude / Vazio da Divindade, e é através desta corrente específica que toda a nossa visão e compreensão é formada. Aqueles que trabalham fora desta corrente e em tradições não relacionadas com a nossa não têm nada a ver com aquilo com o que trabalhamos e, como tal, as suas suposições não têm qualquer influência sobre nós, embora assumam algum tipo de arrogante “voz de autoridade” em conexão com estes e outros assuntos relacionados.
 
Qayin está ligado a muitas coisas, mas o Seu aspecto como o Portador da Foice e Semeador da Morte e Ceifador de Vidas é apoiado por fontes relevantes o suficiente que qualquer um seriamente interessado em Seus mistérios deveria ter encontrado e contemplado.
 
Mesmo que o Aspecto da Morte do Mestre não seja Seu único, é para nós – que na vida buscamos os Poderes, a Gnose e a Libertação da Morte Ilegal – um dos principais pontos de manifestação de Sua Alma Duradoura e do Espírito Transcendente.
 
14. Dentro do LFX, somos brevemente apresentados a Abel com seu papel necessário como sacrifício aos Poderes do Outro Lado pelas mãos de Qayin. Que outro status Abel tem na corrente Necrosófica?
 
Há muitos mistérios conectados a Abel em seu estado post-mortem de ser e ele é realmente uma das almas mais importantes trabalhadas dentro do Caminho de Gulgaltha, pois ele é um servo fiel de nosso Mestre dentro dos Reinos dos Mortos.
 
Este tópico é tratado extensivamente na terceira parte do Liber Falxifer II e diz respeito aos tratados e leis pelos quais os mortos estão ligados ao serviço de Qayin e Seus parentes.
 
15. Dado que o LFX serve para estabelecer o caminho que leva à auto-iniciação nos mistérios qayinitas, o Templo aceita iniciados e / ou realiza iniciações físicas para aqueles que podem ser aceitos?
 
A “auto-iniciação” não é a palavra correta aqui, pois o processo é guiado pelas instruções escritas para tal propósito dentro dos livros do Falxifer e constantemente supervisionados pelos Espíritos da Corrente que são os administradores de bênçãos e maldições para todos que se atrevem a pisar no Caminho dos Espinhos e Ossos.
 
Um termo mais correto seria, portanto, “Iniciação Solitária”, pois o processo é de expansão dinâmica do Poder Azótico através da interação entre o Espírito e os Espíritos. O que procuramos oferecer através desses livros é uma iniciação real em nosso Culto de Qayin, pois, se praticados corretamente com a pretensão de buscar a iniciação, o caminho para o Santuário Interior será encontrado e, nesse ponto, há ritos físicos que podem ser oferecidos por nós para aqueles que sentem a necessidade de se juntar ao nosso templo. Mas, poucos são aqueles com tais necessidades e se alguém praticar corretamente e de acordo com o modo de operação, os próprios Espíritos concederão todos os poderes necessários e nosso Templo será assim criado dentro de todos os iniciados do Culto Oculto pertencente à Linhagem de Qayin e Sua Noiva, Nossa Santa Mãe.
 
16. Existe um tribunal externo do TFC onde as pessoas são designadas para mentores para estudar os caminhos da Corrente 182 e, eventualmente, se consideradas proficientes, proceder para o santuário interno do Templo como Irmãos e Irmãs totalmente iniciados?
 
A Corte Externa do nosso Templo é penetrada por todos aqueles que praticam de todo o coração e em solidão, de acordo com os ensinamentos do Culto de Qayin e que conseguiram estabelecer contato e entronizar uma porção da Alma e do Espírito de nosso Mestre. Se os Espíritos da Corrente então considerarem necessário, tais estudantes serão nomeados professores/guias humanos e a partir daí o Caminho Iniciático mais estruturado será aberto. Nem todo mundo que anda no Caminho precisa entrar no Santuário Interior de nosso Templo. O que é importante é o Trabalho Espiritual e, se conduzido corretamente, tal trabalho levará os devotos de nosso Santo da Boa Colheita para onde eles precisam estar, na vida e na Morte.
 
17. O Segundo livro do Falxifer elabora sobre o funcionamento do aspecto de colheita de Qayin como Qatsiyr e Messor. O que foi que te levou a descobrir esses poderes e incorporá-los na Corrente Qayinita como o Negro No Verde?
 
Nada precisou ser incorporado, pois o Negro No Verde sempre esteve lá e a própria existência deles / delas está interligada com o Trabalho de Qayin, como se não existissem sem ele.
 
Minha iniciação pessoal nos mistérios dos espíritos das plantas tem sido um processo muito longo e contínuo, desde que eu tive um fascínio e um relacionamento com o reino vegetal e com os Espíritos que estavam por trás de suas máscaras verdes desde a infância.
 
Em todas as tradições e linhas de prática em que me envolvi com as plantas e suas aplicações esotéricas dentro do contexto da Obra Espiritual, tive um papel central para mim e, portanto, foi natural dedicar uma porção maior do Liber Falxifer II a seus mistérios e feitiçarias.
 
Tudo é baseado na Gnose sobre o “antinatural incorporação do natural” e o papel que Qayin e Sua Noiva desempenharam nesse processo. Os insights espirituais sobre esses assuntos foram recebidos através do trabalho prático com os espíritos das plantas (o Negro no Verde) dentro do contexto da feitiçaria qayinita e todas as suas assinaturas apresentadas no livro foram obtidas de acordo com os tratados que regem essa linha específica de prática. então todos estão interligados e servem para capacitar toda a Obra.
 
18. No LFXI, somos brevemente apresentados a Qayin Messor, mas ele também recebe o título de “Qatsiyr”, que é muito semelhante a alguns dos nomes de Qayin usados por outras Ordens e Covens. Qual é o significado específico e propósito deste nome? Por que existem dois nomes para Qayin relacionados a essa esfera?
 
O nome do Mestre é Qayin, todas as outras adições ao Seu nome são meros títulos (ou “os nomes de Seu nome”) funcionando como sigilos sonoros que incorporam aspectos específicos de Sua essência. “Messor” significa simplesmente o Ceifador e é um título genérico que abrange um vasto número de atributos que Ele possui dentro do contexto de colheita. O título de Qatsiyr / Katzir (uma palavra hebraica) se traduz como Ceifador / Colhedor, mas possui também alguns significados mais esotericamente relevantes, tais como Separador, Membro de uma Árvore, um Galho e Folhagem.
 
O título Qatsiyr descreve, conecta e foca o aspecto do Mestre como um Ramo da Árvore da Sabedoria, semeado do Fruto do Conhecimento concedido pela Serpente Sagrada a Eva, mas também mostra Sua conexão com a Árvore da Morte do Lado Noturno.
 
Em outro nível, este título enfatiza também Sua realeza sobre todos os espíritos das plantas (o Negro no Verde) e é um desenvolvimento “natural” de seu domínio sobre o reino vegetal, como foi Ele quem foi o primeiro semeador de sementes, lavrador da terra, cortador de raízes e de árvores, mas também aquele que fortaleceu e trouxe adição de poder ao Espírito Santo que tinha sido diluído dentro e através do mundo e especificamente o reino vegetal sobre e dentro do qual Ele, através dos Seus sacrifícios, fez o Negro da Luz do Outro Lado refletir.
 
O título de Qayin Qatsiyr também significa que Ele realmente era um Ramo Separado e cortado da Árvore da Vida do Lado Noturno, tendo, em vez disso, raízes no Outro Lado. Os dois diferentes títulos enfocam, assim, conceitos e aspectos diferentes, mas relacionados, do Mestre dentro do mesmo Reino Verde.
 
19. Os componentes e ferramentas usadas durante os ritos da Corrente Necrosófica são bastante específicos. Que conselho você daria àqueles que seguem a Corrente, mas não são capazes de possuir tais ferramentas, por exemplo, Espinheiro-Negro, que não cresce em algumas regiões geográficas. É aceitável adquirir tais itens comercialmente ou por comércio com outros no Caminho e empreender a consagração daí em diante?
 
Quando se trata de elementos relacionados com o reino vegetal, serão dadas instruções no Liber Falxifer II sobre a re-inspiração das suas conchas físicas e quando nenhuma outra opção existe e é necessário seguir um tratado que exija um conjunto específico de elementos, é possível comprar aquilo que é o básico e consagrá-lo para incrementar as virtudes espirituais.
 
Com a prática correta, vem também a recompensa da Gnose pessoal concedida pelos Auxiliadores e pelo Fâmulos do Caminho e, nesse momento, é possível tornar-se guiado para alternativas adequadas a alguns dos elementos mais raros, quando e se tais substitutos para eles crescerem sobre ou perto da própria terra.
 
Os poucos elementos de plantas mencionados no primeiro Liber Falxifer foram, por exemplo, alguns daqueles através dos quais um aspecto inicial de nosso próprio Trabalho foi realizado e Gnose alcançado e como tal eles foram e permanecem como alguns dos principais pontos de contato entre o Templo e a alma e o espírito de Qayin. Isso não significa que as árvores de Qayin estejam limitadas a ser aquelas três árvores mencionadas no primeiro livro, ou algo tolo como isso, já que na verdade todas as plantas pertencem ao Espírito d’Ele e Sua Noiva.
 
No capítulo Negro No Verde de Liber Falxifer II, muitas outras árvores e ervas ligadas ao nosso Trabalho e às Almas e Espírito de nosso Mestre e Nossa Senhora são apresentadas aos alunos do Caminho, juntamente com 72 de suas assinaturas individuais completamente ligadas à Causa de Qayin, que também é nossa própria Causa Sagrada.
 
Através do funcionamento esotérico do sigilo do Ponto Verde da Caveira e das assinaturas do Negro No Verde, todos os elementos da planta podem se tornar consagrados e elevados para um novo nível de santidade e potência que rivaliza com os elementos da planta corretamente ceifados ritualmente.
 
20. O Livro de Anamlaqayin concentrou principalmente no aspecto de colhedor de Qayin, como Qayin Qatsiyr: podemos esperar ver publicações futuras que investigam os mistérios dos outros aspectos de Qayin e / ou até mesmo um livro dedicado exclusivamente à Gnose de Qayin e Sua noiva?
 
Tudo é possível e se os Auxiliadores do Trabalho nos guiarem para apresentar outros aspectos dos mistérios ao público, faremos isso. Quanto à Santa Mãe, a Velada, Seus mistérios são tais que eles não se prestam a tal revelação, o que é algo explicado em Liber Falxifer II. Sua beleza e poder são algo que a pessoa deve merecer contemplar e pistas suficientes sobre Seus mistérios são dadas no livro, mas se Ela em algum ponto indicar que outros aspectos de Suas feitiçarias devem ser revelados, nós naturalmente atenderíamos e obedeceríamos.
 
21. Refletindo sobre a libertação mencionada no Liber Falxifer, e sua menção de que aqueles que se devotam ao Caminho serão recompensados, mas para aqueles que buscavam apenas gratificação egoísta ou que profanam os mistérios do livro, será colhido apenas destruição. À luz da libertação mencionada no Liber Falxifer II, o que você diria sobre o resultado dessa advertência?
 
Os tolos nunca aderem a nenhum aviso nem respeitam qualquer conselho; está, portanto, dentro de nossa abordagem abençoar e amaldiçoar igualmente, pois para cada mão estendida na amizade há pelo menos uma mão de um ladrão que merece ser cortada.
 
As bênçãos dos fiéis foram muitas, de acordo com seus próprios relatos, como contatamos no Templo e agora temos devotos do Mestre em quase todas as partes do mundo e, mais interessante, em países que as pessoas raramente se conectariam a esse tipo de prática.
 
Quanto às maldições colocadas sobre os profanadores da Obra, bem, essas também foram testemunhadas e continuam a envenenar a vida de tais nascidos de barro.
 
Com isto dito, nossa esperança é abençoar e não amaldiçoar com este Trabalho, mas a natureza turva deste mundo é tal que são necessárias respostas coléricas para defender o que é sagrado.
 
22. O TFC está ligado a uma corrente de luciferianismo gnóstico (218) e Qayin pode ser visto como o primeiro satanista / luciferiano. No entanto, os nobres objetivos espirituais e complexas feitiçarias dentro de sua tradição se desviam grandemente do satanismo genérico e vulgar frequentemente encontrado. Eu me pergunto, portanto, como você realmente se relaciona com o rótulo de “satanismo” e você acha que ele é descritivo o suficiente ao representar?
 
Bem, com o passar dos anos tornou-se cada vez menos frutífero rotular o próprio Caminho com termos como “satanismo”, mesmo que de fato nós veneremos e sirvamos a Causa de Satanás / Lúcifer / Samael.
 
A americanização do “satanismo” e do ocultismo em geral ridicularizou tudo o que poderia ser relevante e potente dentro de tais sistemas de antinomianismo espiritual e, como tal, não temos nada em comum com a vulgaridade mais frequentemente ateísta e materialista vendida aos cegos sob o disfarce de “satanismo” ou “luciferianismo”.
 
Outro fator que contribui para nossa relutância em se vincular a qualquer forma de “satanismo” vulgar é o “apoio” muito indesejado que é forçado a diferentes ramos relevantes da Senda de Satanás-Lúcifer por jovens mal orientados e obcecados pela “música metal”. Tal abuso infantil de símbolos sagrados, sigilos e fórmulas que deveriam ser reservadas somente para práticas espirituais é outra razão pela qual é uma boa ideia distanciar-se do circo que é chamado “satanismo”.
 
Aqueles que conhecem e servem-se do Adversário do Demiurgo sempre permanecerão e resistirão, pois tal oposição é a própria essência da Linhagem Sanguínea da Serpente, mas torna-se cada vez mais contraproducente permitir que a Obra Divina se torne falsamente associada com qualquer aspecto da idiotice grosseira dos charlatões americanos e a profanidade da juventude fraca e desorientada.
 
Uma razão adicional para que alguém deva separar nosso Trabalho da maioria daquilo que tem sido rotulado como “satanismo” é também o fato de que nossos objetivos espirituais na realidade são opostos a quase todas as formas de sistemas de “Caminhos da Mão Esquerda” ocidentais. Nosso objetivo é a União com a Divindade (o Deus Desconhecido em Ain) e a transcendência do ego nascido em argila que acorrenta o Espírito ao reino do Criador cego. Como tal, não temos nada em comum com a grande maioria destas pessoas jogando “em nome de Satanás” e, de fato, teríamos mais em comum com os gnósticos.
 
Quando vemos Satanás como a outra face de Lúcifer, sempre permaneceremos “luciferianos e satânicos”, mas como nossa abordagem necrosófica e gnóstica não tem nada em comum com quaisquer outros grupos que se identifiquem como “satanistas / luciferianos”, não faz sentido nos rotularmos como tal, principalmente para evitar causar mais confusão e não atrair mais atenção indesejada e “apoio”.
 
Nós somos apenas os trabalhadores da Luz Negra da Divindade.
 
Fonte: http://www.ixaxaar.com/218-interview-2.htm/
 
-Trad. Pt Dom Wilians, Lotan-
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