HEKA

Para os egípcios, antes de qualquer coisa vir a ser, um poder primordial existia. Esse poder subjaz tudo que foi criado posteriormente e se chama HEKA. Na cosmogonia egípcia Heka era um ser que vivia silenciosamente nas águas cósmicas até o momento do primeiro impulso da criação. 

Mas tarde sua energia se concentrou nos raios solares como forma de abençoar a humanidade.  HEKA é a ativação do Ka ou força mágica/vital. Ativando esse poder, a magia poderia funcionar, assim acreditavam os antigos egípcios que realizavam variados rituais e ceremônias para ocorrer tal ativação do poder mágico.

No antigo Egito não havia nenhuma palavra para “religião” – a coisa mais próxima disso foi heka, o poder mágico. Heka literalmente significa “a ativação do ka”, o ka sendo o “duplo” espiritual ou força vital dentro do corpo humano que sobrevive após a morte e também a força vital compartilhada pela humanidade e pelos deuses. É a energia vital universal, o poder criativo que circula através dos mundos espiritual e físico, o que torna a criação possível. Assim, a magia precedeu a criação dos deuses e acreditava-se ser ainda mais poderosa do que eles. Nos Textos da Pirâmide, o poder do mago é exaltado: “O céu treme, a terra tremerá diante de mim, pois sou um mágico, possuo magia.

Heka foi personificado como um deus da magia, associado ao poder da palavra escrita e falada, bem como à medicina e à cura. Ele acompanhou o deus-sol Rá em sua barca durante sua jornada diária através dos céus, junto com os deuses Sia (percepção divina) e Hu (fala divina). Ele foi descrito como um homem segurando duas serpentes cruzadas sobre o peito. O equivalente feminino de Heka era a deusa Weret Hekau, que significa “Grande Mágica”, ou a “Grande Encantadora”, que era frequentemente representada na forma de uma cobra, assim como várias outras deusas egípcias. 

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